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SDGs for All

SDGs for All is a joint media project of the global news organization International Press Syndicate (INPS) and the lay Buddhist network Soka Gakkai International (SGI). It aims to promote the Sustainable Development Goals (SDGs), which are at the heart of the 2030 Agenda for Sustainable Development, a comprehensive, far-reaching and people-centred set of universal and transformative goals and targets. It offers in-depth news and analyses of local, national, regional and global action for people, planet and prosperity. This project website is also a reference point for discussions, decisions and substantive actions related to 17 goals and 169 targets to move the world onto a sustainable and resilient path.

Angola planeja fabricar equipamentos militares russos

Por Kester Kenn Klomegah*

MOSCOU (IDN) - Muitos países africanos estão à procura de negócios lucrativos, investimentos e comércio, em vez de auxílios de desenvolvimento. Angola, país centro-sul-africano, agora anunciou planos corporativos para diversificar seus negócios estatais, desde a compra até a fabricação completa de equipamentos militares russos para o mercado da África Austral e possivelmente outras regiões do continente – dificultando a realização do Objetivo 16 de Desenvolvimento Sustentável, que clama por paz e justiça.

Se Angola se tornar um produtor e distribuidor-chave de armas russas, há sempre a possibilidade de algumas delas acabarem aparecendo fora de Angola, na região da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) – que conta com 16 membros –, adverte o Professor David Shinn, da Elliott School of International Affairs, Universidade George Washington.

"Armas produzidas por qualquer país podem e de fato aparecem em zonas de conflito africanas. Há muita documentação, por exemplo, de que as armas fabricadas na China, na Rússia e nos países ocidentais estão sendo usadas nos conflitos em curso em Darfur, no leste do Congo e na Somália", diz o professor Shinn, ex-embaixador dos EUA na Etiópia (1996-99) e Burkina Faso (1987-90).

Em alguns casos, os governos africanos transferiram as armas para grupos rebeldes, e muitas outras foram compradas no mercado internacional de armas, ele acrescenta.

O professor Shinn também diz que a África do Sul tem a mais avançada capacidade de produzir equipamentos militares, seguida pelo Egito. O Sudão, que recebeu assistência da China e Irã na construção de sua indústria de armas, e a Nigéria, entre outros, também têm capacidade de produzir equipamentos militares. Nesse sentido, o que Angola propõe fazer (ou seja, montar uma fábrica) não é muito diferente, exceto pelo suposto auxílio da Federação Russa.

No entanto, o professor Shinn espera que as possíveis iniciativas angolanas de exportação de armas estejam sujeitas à aprovação do parlamento angolano e sejam de grande interesse para a SADC, a União Africana e o Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Em 29 de fevereiro de 2019, o Conselho de Segurança adotou uma resolução que estabelece passos rumo ao objetivo de acabar com o conflito na África através de cooperação e parceria internacional reforçadas, além do apoio robusto para operações de paz lideradas pela União Africana.

Adotando por unanimidade a resolução 2457 (2019) no início de um dia inteiro de debate aberto, o Conselho acolheu a determinação das 54 nações da União Africana para livrar o continente do conflito através de sua iniciativa "Silenciar as armas na África até o ano 2020", expressando sua disposição para contribuir com o objetivo.

A importância dessa resolução é realçada pelo fato de que há, no momento, quinze países africanos envolvidos em guerra ou vivendo conflitos e tensões pós-guerra. Na África Ocidental, os países incluem a Costa do Marfim, Guiné, Libéria, Nigéria, Serra Leoa e Togo. Na África Oriental, os países incluem Eritreia, Etiópia, Somália, Sudão e Uganda.

O Presidente da Angola, João Lourenço, revelou seu plano para fabricar armas russas em uma entrevista exclusiva para a agência russa de notícias Itar-TASS durante sua visita oficial de quatro dias a Moscou, de 2 a 5 de abril de 2019. Ele disse que Angola é um dos principais compradores de armas russas, e que o seu país quer não apenas comprar, mas também produzir.

"Quanto à nossa cooperação militar e técnica com a Rússia, ela continuará e será aprofundada. Gostaríamos de evoluir do nosso estado atual de compradores de equipamentos militares e tecnológicos russos para nos tornarmos fabricantes e termos uma planta de montagem de equipamentos militares russos em nosso país", disse ele à agência de notícias.

Embora essa tenha sido a primeira visita oficial de Lourenço à Rússia como Presidente da Angola, ele tem profundo conhecimento sobre a capital russa, visto que estudou em sua Academia Político-Militar, de 1978 a 1982.

Ao longo dos anos, a Rússia tornou a "cooperação técnico-militar" uma parte importante de seus objetivos de política externa com a África. De acordo com o Ministro da Defesa de Angola, Salviano de Jesus Sequeira, a Rússia já entregou seis caças SU-30K para a Angola este ano, e outros dois são esperados até o final de maio.

Além disso, Sequeira disse que o país está interessado em comprar os sistemas russos de defesa aérea S-400, mas não há conversas sobre isso por causa de dificuldades econômicas, e acrescentou: "as forças armadas angolanas estão acostumadas a trabalhar com armas russas". Por esse motivo, a cooperação militar entre os dois países durará para sempre.

De acordo com o relatório do site do Ministério da Defesa, a Rússia concordou em fornecer armas e equipamentos militares a Angola no valor de US$ 2,5 bilhões, incluindo peças sobressalentes para o armamento soviético, armas leves, munições, tanques, artilharia e helicópteros multiuso.

Em um relatório de pesquisa intitulado "Russia and Angola: The Rebirth of a Strategic Partnership" (Rússia e Angola: O renascimento de uma parceria estratégica), que foi divulgado pelo Instituto Sul-Africano de Assuntos Internacionais (SAIIA), os autores Ana Christina Alves, Alexandra Arkhangelskaya e Vladimir Shubin reconheceram que "a defesa continua sendo a dimensão de cooperação mais sólida entre Rússia e Angola. Até o presente, a Rússia é o parceiro militar mais estratégico de Angola".

Ana Christina Alves, Pesquisadora Sênior do Programa de Potências Globais e África da SAIIA, explicou ainda que os "equipamentos militares são, sem dúvida, o maior lado e o mais lucrativo dos negócios da Rússia com a África – cujos números infelizmente não constam nos dados oficiais de comércio bilateral. Se fossem incluídos, o volume de negócios bilaterais se mostraria muito mais impressionante. Essa é, talvez, a dimensão mais forte das transações da Rússia na África atualmente, mas por causa da natureza dos negócios, muito pouco é sabido fora dos círculos militares, e é muito difícil de se ter uma ideia do quadro real".

A cooperação técnico-militar há muito tem sido uma área prioritária nos laços bilaterais, com o início do fornecimento de armas pela União Soviética para unidades guerrilheiras na década de 1960, disse Andrei Tokarev – Chefe do Centro de Estudos da África Austral, da Academia Russa de Ciências – ao Kommersant, um diário financeiro russo local.

"No entanto, com a queda do regime do apartheid na vizinha África do Sul em 1994 e o fim da guerra civil em 2002, Angola não tem inimigos potenciais, então a necessidade de suprimentos bélicos diminuiu. Nos últimos anos, a liderança de Angola tem tido planos de transformar o país numa base de reparos de equipamentos soviéticos para países africanos. De sua parte, a África do Sul também teve ideias comerciais similares. Não se pode descartar que a proposta de comprar e produzir (fabricar) armas é uma tentativa de superar a África do Sul, mas a indústria local ainda não está pronta para fabricar seus próprios equipamentos militares", explicou Andrei Tokarev.

Especialistas estrangeiros também expressaram preocupação. O professor Alex Vines, Chefe do Programa África na Chatham House, que recentemente atuou como membro do Grupo de Observadores da Commonwealth para Gana em 2016 e oficial de eleições da ONU em Moçambique e Angola, numa discussão por e-mail reconheceu a cooperação técnico-militar da Rússia com os países africanos.

De Londres, ele escreveu em um e-mail que "a parceria militar angolana com a Rússia tem sido estreita por muitos anos, e uma parte significativa das aquisições através de seu Simportex é com a Rússia". Isso continua, já que a Rússia entregou seis caças SU-30K este ano e [Angola] está interessada em adquirir o sistema russo de defesa aérea S-400. O novo empreendimento busca uma parceria com a Rússia para fabricar equipamentos de defesa em Angola. A Rússia tem uma série de instalações de manutenção na África... Mas esse seria um empreendimento significativo".

Além disso, ele disse que, em sua experiência com a Angola, incluindo ser inspetor de sanções da ONU, "os arsenais angolanos não constituíam um grande problema pelo roubo, mas a maior preocupação era a venda de armas e munições antigas, das lojas para corretores independentes, que então vendiam os equipamentos para entidades sancionadas".

O professor Shinn disse em uma entrevista por e-mail que, particularmente em vista de Angola ter comprado caças SU-30K, é preciso perguntar por que o país precisa de uma aeronave de combate de alto desempenho e quem é o inimigo em potencial? [IDN-InDepthNews – 14 de abril de 2019]

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